MP investiga prefeito de Sinop por financiar campanha com propina quando tentou ser deputado

A investigação é necessária para complementar informações e colher elementos para identificação e melhor delimitação dos investigados, dos fatos e do objeto a ser apurado.

Foto: Divulgação

Por causa da delação premiada do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Geraldo Riva, o empresário Roberto Dorner (Republicanos), eleito prefeito de Sinop em novembro do ano passado, será investigado por improbidade administrativa. A acusação contra ele, detalhada por Riva em sua delação, é de uso de dinheiro desviado dos cofres públicos para financiar sua campanha eleitoral de 2010, quando disputou uma vaga de deputado federal pelo PP e ficou como primeiro suplente. O inquérito civil foi instaurado pelo promotor de Justiça, Célio Joubert Fúrio.

A portaria assinada pelo titular da 35ª Promotoria de Justiça do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa informa que após a delação de José Riva, o MPE vai “apurar eventuais atos de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito ou de danos ao erário” por parte de Dorner

A investigação é necessária para complementar informações e colher elementos para identificação e melhor delimitação dos investigados, dos fatos e do objeto a ser apurado.

“Considerando o contido no SIMP mencionado, que recebeu documentos do Gaeco contendo “pen drive“ com gravação audiovisual das declarações do delator José Geraldo Riva e anexo (item 5 de planilha apresentada), noticiando possível negociação com Silval Barbosa a título de contribuição para suporte político e auxílio à campanha eleitoral de 2010, com repasse de valores provenientes de recursos públicos, distribuídos entre os candidatos a deputados do Partido Progressista – PP, entre eles o investigado”, diz trecho da portaria publicada no dia 7 deste mês.

Riva detalhou no acordo de delação que ele ajustou com o ex-governador um repasse de R$ 10 milhões ao PP para a legenda fazer parte da chapa à reeleição de Silval ao Palácio Paiaguás em 2010.

Medida semelhante já foi adotada em relação ao ex-deputado federal Eliene Lima que também disputou uma vaga na Câmara Federal em 2010 pelo PP, e segundo o delator, Eliene se beneficiou de dinheiro desviado dos cofres da Assembleia Legislativa para alavancar sua campanha vitoriosa naquele pleito. 

PP FORTALECIDO EM 2006

Quatro anos antes, em 2006, José Riva já era filiado ao PP e comandava a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Ele atribuiu a votação expressiva recebida pelo Partido Progressista naquele pleito “a trabalho”, conforme nota publicada no próprio site da Assembleia enaltecendo o desempenho de Riva nas urnas como o estadual mais votado de Mato Grosso pela 3ª vez consecutiva.

Na publicação, foi noticiado ainda que o PP somou 219.206 votos, conquistando 4 vagas no Legislativo Estadual e uma na Câmara Federal. Agora, 10 anos depois, José Riva, fez acordo de delação premiada, homologado em fevereiro de 2020 pelo desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e revelou suposto pagamento de mensalinho a 38 deputados com valores que totalizam R$ 175 milhões. Segundo ele, o mensalinho era pago com dinheiro desviado da própria Assembleia Legislativa através de licitações fraudadas e outros esquemas de corrupção cometidos entre 1995 e 2015.

Fonte: Folha Max

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